Não quero.

 Morrer, viver, morrer. Acho que viemos da morte.


Leía Bons livros, perguntado, aconselhou Borges. Então comecei a ler. E no fim da carreira do tempo, a matéria persistiu. Imagino o paraíso celestial, ao invés de viver feito fantasma, atravessando páginas sem nunca move-las, andar voando. Ter o ignóbil serviço de sair desapaventado q vaiar vida.

E não ler, não ler, senão o comum grandiloquente dos jargonautas. Morrer mil vezes no descalabro dos eletrônicos. Subir ao inferno onde queimam, chegar ao céu profundo e encontrar velhas nulidades a debater sobre a urgência de se construir loteamentos para pobres almas. Uma descida sem prateleiras, leitor de cell, que fosse possível. Deixar as coisas materiais, subir na nave da morte e viver a eternidade na ignorância.

Morrer todos os dias mortos todos os dias. Não quero. Virar espírito para varrer condomínios dos que foram sensatos, bons. Não quero ser esse bom estupidificado, atontado para lidar com a amizade entre leões e lebres. Morrido e vivo em mansões de mortos entulhadas. Casarões em ouro, frias e cafonas, bas-fonds, feias e ridículas. Não quero. Se for feio é odioso viver, prefiro. Andar arrastado, ndesossado, lesmático, mas com direito a leitura.

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